A chegada em Oslo com atraso de duas horas e debaixo de uma chuva braba não foi das mais animadoras. Mesmo assim, empunhamos nosso guarda-chuva chinês e fomos conhecer um pouco da cidade. Na volta, depois de um banho para esquentar por fora, um pub para esquentar por dentro. No caminho, à beira do canal, fomos abordados por vários traficantes e por isso tratamos de entrar no primeiro pub que achamos na frente. Lá pelo segundo copo, percebi alguns comportamentos estranhos em nossa volta: estávamos num pub GLS. Nada contra, mas não é o meu local favorito para tomar um chopp norueguês. Fui dormir desejando um pouco mais de sol e de sorte.

Deu certo! Acordamos com um sol ainda não visto nessa viagem – talvez São Pedro não trabalhe de domingo. Começamos o dia subindo a Karl Johansgate, principal rua de pedestres de Oslo, em direção ao The Royal Palace. Logo no começo da rua, a igreja Oslo Domkirke passa por uma mega reforma. Infelizmente não foi possível visitá-la. O jeito foi procurar um museu aberto logo cedo – um cedo europeu tipo 10:00h da manhã. Virando ã direita, achamos o Historisk Museum aberto. São três andares com mostras diferentes. Embaixo, a mais interresante, mostra a história norueguesa da idade da pedra até o período medieval, passando pela era viking. Uma exposição de objetos e algumas maquetes em tamanho real dão uma noção do processo evolutivo da raça humana. A entrada franca garantiu um bom passeio matinal.


Logo ao lado, está o Nasjonalgallerriet, de longe a melhor galeria visitada nessa viagem. Na sala 24, obras de Munch pelas paredes dão o tom depressivo do expressionismo da época. Ali está The Sick Child onde o pintor retrata sua irmã à beira da morte com cores e pinceladas de dar medo. Mas a cereja do bolo é mesmo The Scream, conhecido por nós como O Grito. Recentemente recuperado – alguém pode confirmar essa informação? – O Grito é diferente de todas as obras de Munch. É mais deprimente, mais escuro e mais sinuoso do que qualquer outro quadro. Simplesmente maravihoso. Dali para a sala 37 onde quem adorna as paredes é Picasso, Monet, Cézanne, Renoir, Manet. E ali sentadinho no meio da sala, como quem observa as obras de arte enquanto pensa em sua existência, O Pensador de Rodin! Interessante é ver a maioria das pessoas olhando as paredes e saindo sem perceber quem está ali bem no meio da sala. Se vierem para cá, não se esqueçam de dar a devida atenção a ele. E sabe quanto custa entrar nessa galeria? Nada… Mas eu pagaria trocentas coroas. Pena não poder fotografar.

Ainda atordordoados pelo Grito, seguimos para a Região do Forte, ao lado do porto. Lá nos aguardava o simpático Hjemmefrontmuseet Norges ou O Museu da Resistência Norueguesa. Muito bem organizado, o museu mostra desde o dia da invasão nazista na Noruega até a queda de Hitler. E mostra também, através de fotos, documentos, gravações, pôsteres… como a sociedade resistia à ocupação alemã. Vale a visita. Ainda na Região do Forte, visitamos o Arkershus Slott, um castelo reconstruído diversas vezes e função das batalhas que aconteceram por ali. É um passeio entre salas, passagens subterrâneas e a torre. É legalzinho, ainda que a vista grátis da cidade no alto do forte seja mais interessante.



Um bonde nos levou para passar a tarde no Vigelandsparken, o Parque das Esculturas de Gustav Vigeland. São mais de 200 obras do escultor representando os vários estilos da vida humana. O perfume das rosas a caminho do obelisco é indescritível. Só passando pelo jardim para sentir os diferentes aromas de cada espécie.

A noite norueguesa nessa época do ano simplesmente não existe. O sol não passa de umas 17:30h brasileira, ou seja, fica de tarde mas nunca de noite. Assim como o sol, os preços também estão sempre lá em cima. Um hot dog – do tipo só pão e salsicha – não sai por menos de 25 coroas norueguesas, equivalente a mais de 3 euros! Começo a ficar com saudades do nosso feijão-com-arroz de verdade…

Acordamos com mais um dia de sol daqueles. Mas como vida de mochileiro não é só alegria, fomos lavar nossa roupa naquelas lavanderias tipo self-service e comprar algumas coisas que estavam acabando. Gastamos a manhã inteira lavando e secando roupas em meio a instruções norueguesas incompreensíveis de como operar as máquinas. De tarde pegamos o barco número 91 para a península de Bygdoy onde ficam três museus marítimos. O Kon-Tiki Museet expõe o barco de papiro Ra II feito pelo navegador norueguês Thor Heyerdahl utilizado na travessia do Atlântico. Na outra sala fica a balsa Kon-Tiki que foi contruída e utilizada para fazer a travessia entre o Peru e a Polinésia, comprovando a teoria de que os maias teriam colonizado a Polinésia. Vale uma visita.

Do lado, o Frammuseet expõe o navio Fram, utilizado em diversas expedições árticas. Talvez por ter visitado o museu marítimo em Gotemburgo, saí de lá com a impressão de que não valeram coroas gastas. O último museu é o Sjofartsmuseum – Museu Marítimo – que possui um monte de barcos em miniatura e um vídeo projetado num telão mostrando um sobrevoo pelas Ilhas Lofoten. Não perdi meu tempo…

Meia hora de caminhada e entramos no Vikingskipshuset ou Museu do Barco Viking. São três barcos vikings achados em uma escavação, sendo dois deles em bom estado de conservação. O mais imponente chama-se Oseberg e serviu para enterrar uma rainha e seus utensílios, hoje expostos no fundo do museu. Para completar nossa overdose de museus, o Norsk Folkemuseum – Museu da Cultura Histórica Norueguesa. São diversas casinhas típicas norueguesas do século 17 e 18 dispostas em ordem cronológica e ambientadas como na época em que foram construídas. O lugar é grande e deve ser visitado com bastante tempo e disposição para fazer valer as 75 coroas do ingresso.


De volta ao albergue, era hora de arrumar as malas. No dia seguinte tínhamos pela frente uma longa viajem até Bergen. E estamos deixando Oslo do mesmo jeito que encontramos: debaixo de chuva.

PS: sabe aquela impressão pré viagem de que a gente sempre está esquecendo alguma coisa? Pois eu lembrei do esquecido logo após o jogo da seleção – devidamente transmitido pelo meu pai por SMS: minha camisa do Brasil, companheira das minhas viagens à Europa.
Ou essa viagem só ta indo em lugar chato ou ta faltando dinheiro para o evento…credo…na proxima vai pra bahia.
Por: Carlos Costa em 19 Julho, 2007
às 1:28 pm
humm..sei q esse viajante está meio sem tempo e como fikei curiosa pra ver as pinturas de munch, aí vai o link:
http://www.edvardmunch.info/munch-paintings/gallery/paintings-3.asp
boa viagem!
Por: livia f. em 19 Julho, 2007
às 6:10 pm
que legal cara… Sou novo na classe blogueira, vi que seu blog é oq mais cresce na wordpress….prazer
Por: simeao em 20 Julho, 2007
às 10:56 pm
[...] Bruxelas: un jour02. Bruges – Damme – Gent03. Copenhague04. Gotemburgo05. Oslo06. Oslo – Myrdal – Flam – Gudvagen – Voss – Bergen07. Bergen08. Estocolmo & Uppsala09. [...]
Por: Missão Europa 2007 - resumindo… « vem comigo… em 31 Agosto, 2007
às 11:19 am
[...] Europa 2007: Bruxelas – Copenhague – Gotemburgo – Oslo – Bergen – Estocolmo – Vilnius – Tallin – [...]
Por: Missões Europa - 2005 a 2008 « vem comigo… em 28 Maio, 2008
às 2:48 pm
vou para Oslo Estocolmo e Copenhague quero as melhores dicas do que ver e fazer 05 dias em cada cidade
Por: ira em 6 Junho, 2008
às 1:43 pm
Achei legal,sou brasileira,e moro na Noruega e nunca visitei os museus aqui,exceto o parque com lindas rosas e esculturas!valeu as dicas!
Por: celia em 9 Janeiro, 2009
às 11:24 am
Celia,
Eu que agradeço pela visita. Tenho saudades de Oslo e dos fiordes noruegueses…
Volte sempre!
Por: Breno B em 9 Janeiro, 2009
às 11:39 am