“BAD, BAD…” Foi assim que o policial responsável pela imigração nos recebeu após respondermos que não tínhamos feito o maldito seguro de saúde internacional. Logo depois, segurou nossos passaportes até que fossem providenciados os seguros. Gelei. Na agência de viagens que vendia o tal seguro, o tratamento não foi diferente. Fui no balcão pedir informações sobre como chegar no hotel, a mesma coisa. Em parte, esse tipo de comportamento foi compreendido mais tarde, durante nossa estadia em Vilnius. Em parte não se justifica. Passado o aperto, o episódio acabou rendendo boas risadas – brasileiro é assim mesmo – quando a minha mulher atribuiu ao nosso amigo policial o apelido de “BAD PITT” devido à sua semelhança física com o original.

Vilnius ou Vilna – ou ainda Vilniaus – é a capital da Lituânia que foi declarada independente em 1991 após a desocupação soviética. O país foi admitido na União Européia junto com seus vizinhos bálticos, o que não deixa de ser notável pela sua trajetória. Em termos de turismo, ainda engatinham. Mas posso dizer que é muito mais fácil se locomover em Vilnius do que em qualquer grande cidade brasileira. Dá de goleada no Brasil – que mal engatinha ainda – e acaba derrubando qualquer imagem de cidade pobre e mal organizada.

Pelo contrário. A infra-estrutura de Vilnius não deixa nada a desejar às outras capitais européias visitadas nessa viagem. E aqui a culinária local pode ser apreciada e o supermercado deixado de lado. Para pagar o pecado da gula vá para o centro, que conta com mais de 50 igrejas só no roteiro turístico. Todas elas divinas. Subimos de bondinho à torre Gedimino, fortificação datada do século XIII. Dentro da torre, modelos das diversas reconstruções do castelo. Do alto da torre se tem uma boa visão do centro da cidade.


A dois quilômetros dali, está a Igreja de São Pedro e São Paulo. Por fora, nada de especial. Mas por dentro, uma das mais belas – se não a mais bela – igrejas que já visitei. O interior é todo branco, adornado com mais de 2000 imagens representando um misto de cenas mitológicas, bíblicas e guerras. Em vez de um lustre pendurado, um barco de cristais. Impressionante!


Continuando nossa peregrinação, fomos para a praça Katedros onde fica a Basílica construída em 1251 e reconstruída várias vezes. A igreja guarda o corpo de São Casimiro, santo padroeiro da Lituânia. Dali para a igreja de Santa Ana, toda construída de tijolos vermelhos e cartão postal da cidade. Atrás, a igreja de São Bernardino, ainda em fase de recuperação mas que fica muito mais charmosa assim mesmo, com as marcas da história de incêndios e reconstruções.


E assim foi nossa peregrinação pelo belo centro de Vilnius. Uma igreja aqui, outra acolá. Tivemos a sorte de assistir um pouco de uma missa numa igrejinha ortodoxa. Depois, mais uma missa católica para pagar de vez nossos pecados. É um belo passeio por uma cidade religiosa que se orgulha de ter sobrevivido em meio a guerras e ocupações. Por mim, teria visitado todas elas.

No dia seguinte, fomos conhecer um pouco da história do povo Lituano no Museu do Genocídio, também conhecido como KGB Museum pois fica num antigo prédio usado como prisão pelos soviéticos. Ali foi possível entender em parte o comportamento arredio dos cidadãos que foram literamente escurraçados durante anos por alemães e soviéticos. Deportados para a região da Sibéria, muitos não puderam voltar para Lituânia após longos anos de sofrimento. O movimento pela libertação do país, após a segunda guerra mundial, foi massacrado pelo exército russo, que manteve o país anexado à União Soviética até sua independência em 1991.

Debaixo do prédio, uma das prisões mais horripilantes que já visitei, com direito a sala de torturas à prova de som e sala de execução com buracos de bala. Só tinha sentido algo igual no Museu do Terror em Budapeste. Esteja preparado para a visita, mas não deixe de ir e entender o quanto vale a liberdade.

De tarde, pegamos um ônibus para Trakai onde fica um castelo construído numa ilha. A entrada para o castelo é paga mas dá direito a visitas pelos dormitórios e exposição de objetos da época. Mas o que vale mesmo é a vista do castelo e o passeio pela cidade. Tudo isso a apenas trinta minutos de Vilnius. Um bom passeio para uma tarde ensolarada, com direito a paradinha num restaurante à beira do lago para um chopp.

Pecados pagos, é hora de fazer as malas. E venha para Vilnius antes que aquela sua tia beata descubra a quantidade de igrejas por aqui. Mas não esqueça do seguro de saúde internacional, pelo amor de Deus!
Lindas fotos Breno!
O Blog tem RSS? Fica mais fácil de acompanhar.
Uma abraço
Por: Rodrigo Purisch em 28 Julho, 2007
às 2:27 pm
Tem sim… só precisa de um navegador compatível
Por: Breno B em 28 Julho, 2007
às 3:23 pm
Irado meu!
To curtindo pra cacete…
Abração
Por: Diogo em 28 Julho, 2007
às 4:11 pm
Que lugares incríveis! A viagem de vocês está maravilhosa…
[]’s
Ps.: Obrigada por essa dica do seguro. Bom saber!
Por: Chris Pessoa em 28 Julho, 2007
às 5:17 pm
Breno,
Acabei de fazer essa mesma viagem a Vilnius! Adorei a cidade! Parabéns pelo Post tá show!!!
Abs!
Por: Marcio em 2 Agosto, 2007
às 3:56 am
[...] desde a última ronda dos blogs, ele já pôs no ar posts de duas escalas pelos países bálticos: Vilnius, na Lituânia, e Tallinn, na [...]
Por: Na carona do Breno: Bálticos « Viaje na Viagem em 18 Agosto, 2007
às 11:32 am
Breno, ¡Qué suerte tuvo su mujer! ¡Un físico a lo Bad Pitt! y sin ser Brad.
Gracias por las fotos tan lindas.
Adoro las iglesias centroeuropeas y nórdicas con los interiores de un blanco puro, tan místico.
En España las catedrales e iglesias suelen ser de piedra y más oscuras.
Por: Carmen em 28 Agosto, 2007
às 8:21 am
o lugar é lindo e eu gostaria muito de conhecer…
Por: mariana em 31 Janeiro, 2008
às 3:52 pm
Breno,
Estou indo para a Lithuania em Maio.
Além da recomendação do Seguro Saúde Internacional, precisa de mais alguma coisa?
O por que deste seguro?
Quanto tempo voce ficou?
Obrigado e abraços,
Matheus
Por: Matheus em 15 Abril, 2008
às 10:03 am
Matheus,
O seguro internacional de saúde é para caso aconteça alguma coisa com você durante a viagem. Basicamente deve ser contratado porque o país que você está visitando não quer ser responsável por por despesas de saúde de estrangeiros.
O povo lá é meio fechado. Não espere muita cooperação da galera.
Fiquei 3 ou 4 dias por lá.
Abs.
Por: Breno B em 15 Abril, 2008
às 3:27 pm
Olá , acabei de chegar da lithuania
Por: Cristiane Teixeira em 29 Julho, 2008
às 9:25 am
Estive em Vilnius , no castelo trakai , tive a oportunidade de ir a Kalvarija , Marijampole e conhecer os descendentes do Irmão de meu Bisavó que não migrou do pais , e pude visitar a igreja (destruida pela guerra) que meus bisavos frequentavam e onde meu avô foi batizado , estar no local onde era a fazenda que vovô nasceu foi muito emocionante , posso acreditar que ele estava lá tambem.
Por: Cristiane Teixeira em 29 Julho, 2008
às 9:35 am
Legal suas fotos de vilnius e as mulheres lá, sei que na europa as mulheres são lindas.
como é o jeito delas.
Por: Eduardo santos em 1 Setembro, 2008
às 1:21 pm
[...] é a primeira foto oficial dos três em casa. Confesso que é mais fácil entrar na Lituânia sem seguro médico internacional do que tirar uma foto com os três [...]
Por: Aqui tem um bando de loucos! « vem comigo… em 25 Maio, 2009
às 10:51 am