Publicado por: Breno B | 28 março, 2007

Minha homenagem nostálgica à Praia de Juquehy

Paulista de nascença, paulistano de criação e caiçara por paixão. Paixão dos meus pais pela praia, enquanto eu e minha irmã sofríamos nas curvas da Anchieta com as inevitáveis paradas no acostamento para uma gorfada. O que era ruim, ficava pior quando chegava na interminável reta enlamaçada da Riviera de São Lourenço. Dança daqui, escorrega de lá, e o Opalão marrom, ton sur ton de barro, chegava na praia. Pega à esquerda na praia, contorna o morro, pega à esquerda na outra praia, contorna o morro, mais uma praia, mais um morro… e depois de algumas horas chegava a praia. Não UMA praia qualquer, mas A Praia de Juquehy.

A história da descoberta de Juquehy pelos meus pais começa no interior de São Paulo. Reza a lenda que, após uns drinques a mais, eis que resolvem pegar o carro e conhecer o mar. Umas noites no porta-malas do Opalão estacionado na areia, uns sanduíches de qualquer coisa e a paixão por Juquehy estava consumada.

Entardecer na Praia de Juquehy

Nossa casa de praia ficava no meio do nada, ou melhor, do mato. Não tinha divisórias entre os quartos, alagava quando chovia (e como chovia naquela época), tinha sapo, rã, morcego, aranha e até um peixe resolveu dar o ar da graça no quintal. O contraste com a cidade de São Paulo servia para deixar a estadia cada vez mais interessante. Quer palmito? Espera que o índio Jovino passa pra vender. Quer peixe? Espera na praia a canoa do Pitato trazer. Quer pão sovado pra fritar de manhã? Mercadinho do Jurandir. Marisco? Pega a máscara e o pé-de-pato e vai tirar da pedra.

Lembro-me do Dia de Reis. Era só apagar as luzes e dormir que chegava a tal bandinha. Levanta e abre a porta, serve docinho, salgadinho e, claro, uma dose. E tudo aquilo ficou guardado como um sonho de criança, misturando o mundo real ao lúdico das tradições, a areia da praia, o sol e a chuva, os amigos e a família.

Depois veio a minha “aborrecência”. Para meu alívio, as estradas melhoraram. Por conta disso, as casas proliferaram e nossa casa, mesmo ainda invadida por insetos, tinha vizinhos humanos. Parei de sofrer pelo caminho e passei a culpar a praia. Enquanto meus amigos iam à danceterias em São Paulo, eu passava quase todos os meus finais de semana no mar, tentando surfar mas nunca saindo de frente do guarda sol da minha mãe. De volta ao colégio, tinha sempre a impressão de estar perdido porque não sabia da nova música do Pet Shop Boys ou como dançar no Clube Ipê. Coisas de adolescente…

Juquehy hoje não tem mais barro para enfrentar, mas asfalto. Não tem mais mato, tem especulação imobiliária. Para minha tristeza e felicidade, Juquehy progrediu e acabou com os motivos pelos quais eu poderia argumentar minha ausência. Acabou por me mostrar o quanto eu fui privilegiado por passar meus finais de semana lá.

Hoje, me culpo por não ter desculpa pra não ir. Carpe diem!


Responses

  1. […] muito tempo eu passo o Réveillon em Juquehy, litoral norte de São Paulo com minha família. Resolvemos que estava na hora de buscar novos […]

  2. Ola querido, tbm passe momentos lindo nessa praia .
    Com o amor da minha vida!

  3. A uns 5 anos venho passando minhas férias em Juquey, ja fui com familia, com amigos, com namorado e em fev/09 irei com meu marido. É parte importante das minhas férias e é um lugar muito, mas muito legal mesmo, espero voltar sempre!

  4. Boa Tarde!
    Conheci Juquehy quando findava o ano de 1969 e se iniciava 1970. Era balsa de Guarujá, Balsa de Bertioga e toma mata e mar até chegar naquele paraiso. Nunca tinha visto uma praia só para a nossa família e os nossos amigos. Foi uma grande aventura. Sinto saudades daqueles caiçaras tão humildes e hospitaleiros: Dona Sofia, Sr. Jorgino, Paulina, Cida, Glorina e Alexandre. Aquela mágia se perdeu no tempo. Boissucanga, Maresias, Barra do Una virou lugar sofisticado.
    Angelica

  5. morei aí há mais de dez anos atrás e gostaria de saber se ainda existe o bar ao som da cachoeira,e de dito canivete ainda é vivo,sou aqui do piauí e gostaria de rever alguns amigos se é que eles ainda moram aí.dito morava depois da pista em frente ao bar ao som da cachoeira.conhecí também devanil que trabalhou com ricardo de caseiro,qualquer informaçao me comunique.grato francisco silva o catatau.


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